Herança de Família Tia Beatriz

maquina costura

Em exposição na Recepção do Ponto Rústico.

 A tia Beatriz é irmã do meu pai, mineira, mora em Uberaba. É uma ótima costureira e excelente bordadeira de ponto cruz. Costurou toda a vida, de forma simples mas com toda sabedoria e inteligência que uma costureira possui fazendo o corte e a costura de maneira perfeita. O bordado ponto cruz é a pura arte da matemática e isso ela tira de letra. Também é uma excelente cozinheira.
    Herdei esta relíquia de máquina de costura dela por um motivo muito especial. Ela, sabendo minha vocação para costuras e moda, soube também que eu iria cuidar muito bem desta preciosidade, uma herança de família com valor sentimental, pois pertencia à minha avó paterna, Dona Laudelina ou vovó “Dilina” como os netos a chamavam. Eu era muito pequena quando ela (minha avó) faleceu, tenho uma única lembrança dela. Assim estou fazendo, cuidando e preservando a máquina, a história. 
    Recebi a notícia desse presente pela prima Lúcia, filha da tia Beatriz, através de uma mensagem via WhatsApp  no dia 13 de junho de 2020, mas devido à pandemia, só pude recebê-la no dia 12 de setembro. Fiquei imensamente feliz e me senti muito honrada e grata com o presente, com a lembrança e desde já soube da minha responsabilidade. 
    A tia Beatriz fez um pequeno relato  da história desta máquina, e quando eu a leio, parece que ouço sua voz me contando. 
    Aqui está:

História da Máquina de Costura da Vó Laudelina

            “Vou tentar fazer um histórico da máquina de costura. Vou contar o que sei.

            Para começar, minha mãe contava que ela tinha uma bezerra e que a vendeu, e com o dinheiro, comprou a máquina.

           Ela costurou muito, fazendo roupas para toda família. Ela dizia que fez até um paletó de gala para o meu pai. Depois passou a tarefa para a sua Tia Maria. A Maria fez o curso de corte e costura com a Brandina e me ensinou. Depois que ela casou eu fiquei com as tarefas de costura. 

           A minha mãe fiou uma linha de algodão muito fininha e minha tia teceu. Sua mãe deve saber como é esta engenhoca. Deste tecido fiz uma calça para o Tarcísio e uma para o seu pai, me deu muito trabalho mas no final ficaram muito bem feitas, no capricho. Eles foram em muitos bailes com essas calças.

       Meu pai, não sei onde, arrumou um suporte de ferro e colocou a máquina nele, melhorou muito. A gente tocava o pedal e ficava com as duas mãos livres para manusear a costura.

         Fiz muitos vestidos, calças e camisas. Imagine aí, a macacada era muita! Tinha muito serviço. Minha mãe não me deixava na cozinha, ela queria me ver costurando.

        Quando a Vó Laudelina mudou para a cidade de Araguari, tiraram o suporte da máquina e ficou manual até chegar em suas mãos.

         Esta é a história desta máquina!!!

         Um grande abraço, é toda sua!!!

Uberaba, 13 de setembro de 2020″ 

Beatriz Barbosa Martins

    Meu Deus, gente! Vocês têm noção do que é isso para uma designer de moda? É muito lindo isso! 

Por todos esses anos de trabalho, a máquina está muito bem cuidada, preservada, conservada!

 E a parte que ela disse que FIOU A LINHA DE ALGODÃO……minha mãe disse que a avó colheu o algodão, cardou, fiou, tingiu o fio  e TECEU no tear manual e detalhe: ela teceu fazendo listras. Depois a tia modelou, cortou e costurou! Uau! 

Temos aí as técnicas de plantio, colheita, fiação, tingimento, tecelagem  e confecção, sem a tecnologia de hoje, somente com a inteligência e as engenhocas mecânicas de antigamente.

GRATIDÃO é a palavra que me define!

OBRIGADA tia Beatriz!

Vó Laudelina e aos antepassados, gratidão pela arte da costura e bordado!

Denise Ferreira Barbosa

Goiânia, 14 de novembro de 2020.

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